O Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural foi atribuído em janeiro de 2026 ao escritor e professor Onésimo Teotónio de Almeida, uma das vozes mais ativas e respeitadas da diáspora portuguesa. A distinção, promovida pela Estoril Sol, reconhece o papel fundamental do autor na projeção internacional da língua e cultura portuguesas, especialmente a partir dos Estados Unidos, onde reside há mais de cinco décadas. Teve Almeida a honra de o ter como participante no 9º Encontro Alma por Almeida, promovido pela ADEFS, com uma comunicação sobre Eduardo Lourenço, distinto filósofo de origem almeidense.
Natural do Pico da Pedra, na ilha de São Miguel, Açores, Onésimo Teotónio de Almeida fixou-se nos Estados Unidos em 1972, construindo uma carreira académica de excelência que o transformou numa ponte viva entre as duas margens do Atlântico. A sua obra vasta reflete essa condição de “transatlântico”, combinando o rigor do investigador com a vivacidade do cronista que observa Portugal “de fora para dentro”, muitas vezes com humor e uma lucidez desarmante. Como sublinhou o júri, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, a escolha deve-se à sua “persistente ação enquanto professor e investigador de prestígio”, com provas dadas na consolidação da literatura e cultura portuguesas na América do Norte. Mais do que um académico, Onésimo é celebrado como um pensador que nunca desligou o “radar” da portugalidade, mantendo uma produção literária intensa e diversificada que vai do ensaio ao conto e à crónica.
A vitalidade intelectual do autor permanece intacta aos 79 anos. O júri destacou a sua produção contínua, incluindo obras recentes como José Enes – Filósofo, Pedagogo e Mestre (2025) e Diálogos Lusitanos (2024), que se juntam a clássicos modernos do ensaísmo português como O Século dos Prodígios (2018) e A Obsessão da Portugalidade (2017). A sua escrita caracteriza-se por uma capacidade única de dialogar entre a tradição e a modernidade, dissecando a identidade nacional sem cair em fatalismos.
O prémio, no valor de 20.000 euros, foi anunciado no dia em que o patrono do galardão, Vasco Graça Moura, completaria 84 anos, reforçando a carga simbólica da distinção. Onésimo Teotónio de Almeida junta-se assim a uma galeria notável de vencedores que inclui nomes como Eduardo Lourenço (o primeiro galardoado, em 2016) e Helder Macedo, consolidando o estatuto deste prémio como um dos mais relevantes para a consagração de percursos intelectuais em Portugal. Para o Governo dos Açores, esta distinção não foi uma surpresa, mas sim a confirmação de um “contributo inestimável” para o pensamento crítico e a identidade portuguesa no mundo, validando uma vida dedicada a pensar Portugal para lá das suas fronteiras físicas.

