Projeto DERIN

Desenvolvimento Endógeno e Radiação Ionizante Natural

A radiação natural, ionizante ou não ionizante, é uma forma de energia transmitida através do ar, da água ou do solo. Ela é, e sempre foi, uma parte natural do nosso meio ambiente. Uma das suas formas mais familiares é a luz solar. A radiação natural é encontrada nos alimentos que comemos, na água que bebemos, nos materiais de construção utilizados nos edifícios e também no solo enriquecido em urânio natural e em formas naturais de energia.

Sabe-se, no entanto, que o efeito da radiação ionizante nos nossos corpos, bem como nos alimentos e na água que ingerimos, difere de acordo com a energia envolvida. Constata-se que grandes doses de radiação ionizante podem danificar os tecidos humanos e a exposição em excesso a este tipo de radiação pode ser letal. No entanto, sem radiação não beneficiaríamos do calor do sol e a vida não existiria da forma que a conhecemos. Atualmente estão já identificadas e comprovadas várias utilizações benéficas da radiação ionizante natural, como na agricultura, por exemplo, na qual a radiação natural tem sido bastas vezes associada à determinação da absorção de fertilizantes pelas plantas, bem como ao controlo de fungos e bactérias na conservação dos alimentos e, por isso, quando utilizada de forma controlada pode gerar grandes benefícios para o ser humano. Na saúde e bem-estar, por sua vez, a radiação natural tem sido utilizada em tratamentos de doenças de pele, reumatismo, artrite e dores no corpo, em crenoterapia pela utilização de águas minerais naturais e de alguns gases naturais, quer através da sua ingestão, quer pelos banhos em tais águas.

Neste âmbito, no presente ano letivo 2016/2017, o Agrupamento de Escolas de Almeida (AEA), a Associação de Desenvolvimento das Encostas da Fonte Santa (ADEFS) e a Universidade da Beira Interior (UBI) pretendem iniciar em contexto escolar o projeto DERIN – Desenvolvimento Endógeno e Radiação Ionizante Natural.

O projeto tem como objetivos:

Identificar os eventuais efeitos benéficos protetores da Radiação Natural Ionizante, bem como a necessidade da sua mitigação, na produção e na valorização de produtos e bens endógenos locais do setor primário e dos domínios diferenciadores dependentes do conhecimento – designadamente, o cultivo de leguminosas e plantas de interesse agrícola, o Turismo, a Saúde e o Bem-Estar.

Criar uma rede de trabalho colaborativo que envolva a Câmara Municipal de Almeida, o Agrupamento de Escolas de Almeida, a Associação de Desenvolvimento das Encostas da Fonte Santa e Universidade da Beira Interior, com o intuito de:

mapear geograficamente a concentração média de radiação ionizante natural da água, do solo e do ar nos pontos estratégicos do concelho de Almeida ao nível agrícola e turístico, visando o empreendedorismo na produção e transformação de leguminosas e plantas de interesse agrícola, no turismo e na terapia através da água termal das Encostas da Fonte Santa;

construir materiais curriculares com base na investigação e com recurso às tecnologias de informação e comunicação sob a temática do DERIN – Desenvolvimento Endógeno e Radiação Ionizante Natural, desenvolvidos no âmbito da gestão flexível do currículo do ensino secundário, do ensino superior e do ensino profissional/vocacional;

promover a consciência do modelo europeu de trabalho colaborativo entre os professores e os alunos do ensino básico/secundário e do ensino superior, numa vertente investigativa com implementação em projetos de desenvolvimento, sustentabilidade e empreendedorismo local.

O projeto DERIN será implementado com alunos do ensino secundário e do ensino profissional/vocacional do AEA, sob a orientação de uma equipa de professores e técnicos mediadores. Esta equipa será constituída por professores de Ciências Experimentais e de Agropecuária das turmas dos alunos envolvidos, por dois professores investigadores do Departamento de Física e do Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura da UBI, e por dois técnicos da ADEFS mediadores dos trabalhos dos alunos no terreno.

A comunicação e a construção de materiais curriculares comuns construídos com base na investigação sob a temática do DERIN serão agilizadas pela plataforma de comunicação Office 365, administrada pelo Agrupamento de Escolas de Almeida. O mapeamento geográfico da concentração média de radiação ionizante natural benéfica à produção e transformação agrícola de leguminosas e plantas de interesse agrícola, ao turismo e ao tratamento pelas águas termais locais será divulgado pela Universidade da Beira Interior em parceria com o Agrupamento de Escolas de Almeida, a Associação de Desenvolvimento das Encostas da Fonte Santa e a Câmara Municipal de Almeida. O trabalho de investigação criado será divulgado pela Universidade da Beira Interior.

A implementação do projeto DERIN define-se sucintamente por três fases e estimam-se os seguintes custos:

DESCRIÇÃO SUMÁRIACUSTOS
1ª FASEAvaliação da concentração média de radiação ionizante natural na água, no solo e no ar, nos seguintes pontos: Escola Básica e Secundária de Vilar Formoso (local em que se encontra implementada a 1ª estufa da experiência); Escola Básica e Secundária Dr. José Casimiro Matias (local em que se encontra implementada a 2ª estufa da experiência); Terreno da ADEFS (local de implementação da 3ª estufa); Termas da Fonte Santa; Museu Histórico-Militar.195,00€ para a 3ª estufa  
2ª FASEImplementação da experiência, inclui: o cultivo e a monitorização da plantação e do crescimento, em estufas e por cultura hidropónica, de cultivos endógenos [concretamente os pertencentes à família Asteraceae, Cynara cardunculus usualmente designada de cardo coagulante, e Silybum marianum, dito cardo mariano] e leguminosas [designadamente Cicer arietinum, conhecido por grão-de-bico]; a deslocação dos alunos e dos professores no âmbito da implementação laboratorial das experiências.115,00€ para um Kit de hidroponia  
3ª FASEReflexão sobre a experiência didática e sobre a investigação, no âmbito do desenvolvimento endógeno e radiação ionizante natural, com base no valor acrescentado ao desenvolvimento profissional dos professores, à aprendizagem dos alunos envolvidos, aos currículos do ensino secundário/superior/profissional/vocacional e à investigação científica, que infere a produção de: um mapa geográfico da concentração média de radiação ionizante natural da água, do solo e do ar nos pontos definidos na 1ª fase. materiais curriculares da temática do DERIN – Desenvolvimento Endógeno e Radiação Ionizante Natural. 
Total310,00… Euros

Para o Agrupamento de Escolas de Almeida, o projeto DERIN apresenta-se como um impulsionador da sua linha orientadora junto dos jovens do ensino secundário e numa perspetiva de crescimento e estruturação curricular, com impacto quer no desenvolvimento profissional dos seus professores, quer nas aprendizagens dos alunos. De facto, o Agrupamento de Escolas de Almeida integra no seu Projeto Educativo a temática do desenvolvimento endógeno regional e tem vindo continuamente, desde 2012, a planificar e implementar projetos de formação de jovens e adultos neste âmbito, concretamente Cursos Profissionais e Vocacionais e Cursos Pós-Secundários, desenvolvidos com os seus parceiros locais/transfronteiriços e com entidades de ensino superior. Este agrupamento de escolas tem desenvolvido ações do seu Plano Anual de Atividades em colaboração com os seus parceiros locais e regionais dos quais se destaca a Associação de Desenvolvimento das Encostas da Fonte Santa e a Câmara Municipal de Almeida – levando os alunos a empreenderem em oportunidades de vida, promovendo sinergias com o mundo do trabalho, motivando-os e mediando as suas aprendizagens através de um ensino mais prático e tendo contribuindo para a promoção do sucesso escolar dos alunos envolvidos. Ao Agrupamento de Escolas de Almeida importa continuar a desenvolver medidas claramente centradas no combate ao abandono escolar no ensino secundário, na melhoria das aprendizagens, no reforço de um conjunto de competências alinhadas com o novo modelo de competitividade que se pretende alcançar, por forma a convergir para taxas mais elevadas de qualificação da população e de um capital humano mobilizado para os desafios da produtividade, criação de valor, competitividade, inovação, qualidade e empreendedorismo. Para apoiar os jovens e adultos a apostarem no empreendedorismo da região, o Agrupamento de Escolas de Almeida tem privilegiado o desenvolvimento de atividades dependentes de recursos locais: ligadas ao setor primário, baseadas nos recursos naturais da região centro de Portugal e região transfronteiriça em que é urgente apostar (como é o caso da Agricultura e da Silvicultura); dos domínios diferenciadores dependentes do conhecimento (como é o caso do Turismo, a Saúde e o Bem-Estar); das Tecnologias de Informação e Comunicação; de dinamismo de diferentes tipos de estratégias de eficiência coletiva no âmbito da promoção e transformação de produtos endógenos e desenvolvimento de ambientes rurais; de desenvolvimento de sistemas Ambientais e de Biodiversidade regional (Vale do Côa, Douro Internacional, Serra da Estrela e Serra da Malcata); de proteção ambiental e prevenção e riscos; e de aproveitamento e renovação de energias.

Saliente-se por último que, para a implementação do projecto DERIN, é fundamental:

 – a cooperação da Universidade da Beira Interior, nomeadamente ao nível da definição, monitorização, análise e mediação do trabalho de investigação que se pretende desenvolver ;

– a cooperação da Associação de Desenvolvimento das Encostas da Fonte Santa na cedência de terrenos dos seus associados para os plantios necessários à pesquisa e para a sua vigilância;

 – a colaboração logística e financeira da Câmara Municipal de Almeida para a  implementação pelo Agrupamento de Escolas de Almeida do projeto DERIN – Desenvolvimento Endógeno e Radiação Ionizante Natural.

Professor Joaquim Pedroso, diretor do Agrupamento de Escolas de Almeida

Professora Manuela Tolda, presidente da Associação de Desenvolvimento das Encostas da Fonte Santa

Professora Sandra Soares e Professor Pedro Almeida, investigadores da Universidade da Beira Interior

Almeida, Janeiro de 2017